1.Desenvolvimento da Economia da Cultura com ênfase no grafite.
1.1 - Apresentação
O desenvolvimento da economia da cultura – são conjuntos de atores econômicos, políticos e sociais, localizados, em um mesmo território, desenvolvendo atividades econômicas correlatas e que apresentam vínculos de produção, interação, cooperação e aprendizagem.
Se caracteriza por um numero significativo de empreendimentos e de indivíduos que atuam em torno de uma atividade produtiva predominante, e que compartilhem formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governança, e pode incluir pequenas, medias e grandes iniciativas.
Geralmente incluem iniciativas – produtoras de bens e serviços finais, fornecedoras de equipamentos e outros insumos, prestadoras de serviços, comercializadoras, clientes, etc. cooperativas, associações e representações – e demais organizações voltadas a formação e treinamentos de recursos humanos, informação, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, promoção e financiamento.
Um projeto de economia da cultura deve ter a seguinte caracterização:
Ter um número significativo de empreendimentos no território e de indivíduos que atuam em torno de uma atividade produtiva predominante;
Compartilhar formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governança. Pode incluir pequena e medias empresas.
O apoio ao desenvolvimento da economia da cultura é fruto de uma nova percepção de políticas públicas de desenvolvimentos, em que o local passa a ser visto como um eixo orientador de promoção econômica e social. Seu objetivo é orientar e coordenar os esforços governamentais na indução do desenvolvimento local, buscando – se, em consonância com as diretrizes estratégicas do governo, a geração de emprego e renda e o estímulo às exportações.
1.2 - Análises de conjuntura
Segundo dados do IBGE no censo demográfico 2000, cerca de 20% da população brasileira tinha entre 15 e 24 anos, totalizando 34 milhões de jovens. Na Ceilândia, a falta de opção básicas de cultura e lazer para a comunidade, principalmente para os adolescentes e jovens é uma realidade. Segundo dados da CODEPLAN (2000), há na Ceilândia cerca de 39.056 mil jovens na faixa etária de 15 a 19 anos, o que equilave a 11,16% da população total e 48.223 mil jovens na faixa etária de 20 a 24 anos, o que corresponde a 13,78% da população total.
Ceilândia hoje não tem cinema, teatro, quadras poliesportivas ou qualquer outra opção de lazer para os jovens e adolescentes. Recentemente foi inaugurada uma pista de skate pelo governo local que durou poucos meses, sendo inutilizada por ter sido construída com materiais de baixa qualidade.
A nova geração artística de Ceilândia está representada pela cultura urbana. A cidade é considerada a segunda no Brasil na produção de artista. Junto a ela, temos a cultura nordestina que é uma das principais expressões artísticas da cidade. Hoje pouco explorada e valorizada pelos seus moradores, essa cultura vem perdendo uma grande oportunidade para o desenvolvimento cultural e de identidade em uma cidade com apenas 39 anos de existência.
O projeto busca encontrar respostas coletivas a esses tipos de carências, criando espaços de debates, encontros e organização envolvendo adolescentes, operadores culturais, professores e pais. A estratégia destas atividades é trabalhar o protagonismo social dos jovens da periferia, a defesa dos direitos básicos e ao mesmo tempo, propor ações e projetos de inclusão social, produtiva e cultural.
1.3 – Publico de Interesse
O projeto atitude jovem define o seu público de interesse como sendo atores da cultura urbana, da própria comunidade, e que desejam se profissionalizar através do curso profissionalizante de Graffiti.
1.4 - Objetivo geral
Desenvolvimento de cursos profissionalizantes para a geração de renda de jovens artistas ligados ao grafite, identificando toda a cadeia produtiva, capacitando os atores sociais envolvidos, qualificando mão de obra e desenvolvendo empreendimentos econômicos culturais.
1.5 - Objetivos específicos
Identificar e catalogar a cadeia produtiva do grafite;
Promover a qualificação técnica para a ação cidadã, para o empreendedorismo e para a geração de renda, por meio de uma cadeia produtiva do grafite;
Ter um catalogo de empresas para a apresentação dos trabalhos feitos pelos jovens e em caminhamento para estágios.
1.6 Metas do projeto
O grafite movimenta uma grande quantidade de recursos em Ceilândia e cidades vizinhas, mais até o momento esse segmento artístico esta desarticulado e muito distante das oportunidades de empregabilidade e geração de renda que pode ter, o projeto prevê a organização dos movimentos artísticos ligados ao grafite e a profissionalização dos jovens para que fechem acordos profissionais e sejam empregados em empresas de artes visuais ares de grande carência no mercado de trabalho e com grandes possibilidades de ganhos para profissionais qualificados.
Teremos ao final do processo um catalogo de empresas onde apresentaremos os trabalhos feitos pelos jovens para que possamos ter o fechamento de negócios e a divulgação dos trabalhos realizados pelos jovens, além de iniciarem um processo de profissionalização e encaminhamento para possíveis estágios com os empresários presentes.
2. Metodologia Pedagógica
2.1 – Proposta Político-Pedagógica
Análise
A aceleração das mudanças nos cenários econômicos mundiais vem exigindo das sociedades políticas de desenvolvimento econômico regional novas estratégias para enfrentar a queda no número de empregos tradicionais e a inserção de novos jovens ao mercado de trabalho. A necessidade de criar novas oportunidades de negócios, via enriquecimento da diversidade da matriz econômica e da constituição de novos empreendimentos que atribuam uma dinâmica auto-geradora de trabalho e riqueza, faz a estratégia de incentivar o empreendedorismo uma importante alternativa de desenvolvimento econômico.
O incentivo à ação empreendedora tem sido um tema recentemente abordado e efetivamente aplicado nas últimas décadas, considerando o grande histórico do agente empreendedor na construção de negócios que movimentaram a economia mundial através dos tempos.
A educação empreendedora é um dos caminhos encontrados para a criação de um ambiente que estimule comportamentos sociais voltados para o desenvolvimento da capacidade de geração do próprio trabalho. O desafio desta educação empreendedora é construir um ambiente favorável à criação de uma cultura empreendedora, que passa pela formação de atores sociais de estímulo ao empreendedorismo.
São estes atores sociais os responsáveis por introduzir o empreendedorismo nas diferentes esferas da educação tradicional, transformando ambientes, conteúdos e, principalmente, formas de relacionamento entre o aluno, o professor e o ambiente.
O empreendedor considerado como um ser social, ao mesmo tempo em que é fruto do desenvolvimento econômico e social é também contribuinte deste desenvolvimento, criando negócios, gerando riqueza, introduzindo inovações e ofertando novas oportunidades de trabalho. Se o contexto social é importante para o surgimento e desenvolvimento da ação empreendedora, é preciso que o ambiente social seja propício e estimulador de comportamentos que conduzam esta ação.
Os atores sociais estimuladores do empreendedorismo são vitais para o enriquecimento das relações no tecido econômico, permitindo o surgimento de maiores oportunidades de inserção de pessoas e novos empreendimentos na atividade econômica. Ao mesmo tempo em que o ambiente suporta as relações empreendedoras, se beneficia com a ação voltada à criação de novos negócios, gerando um ciclo virtuoso capaz de beneficiar a sociedade e economia em conjunto.
A partir da criação da figura do agente catalisador da cultura empreendedora, por meio de um processo de capacitação sob a ótica de uma nova pedagogia, que este trabalho busca validar o estímulo ao surgimento de novos empreendedores.
Pedagogia Empreendedora
Tem como objetivo primordial estimular os alunos e prepara - lós para sonhar e buscar a sua realização, como também desenvolvê-los e torná-los capazes de sonhar e construir os quatro pilares da educação: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conhecer, aprender a conviver.
Para formular esse sonho, o aluno deverá conhecer a si mesmo, a realidade em que está inserido, como também a natureza de seu sonho, ou seja, programar-se para que este seja realizado de maneira planejada e satisfatória, levando em consideração a sua auto-estima, o seu autoconhecimento e a sua visão de mundo como sendo o sistema de valores.
A Pedagogia Empreendedora se propõe ao aprimoramento da capacidade de ajustar sempre uma percepção ética, significando a construção evolutiva de conceitos como liberdade, democracia, respeito, cooperação e amor acima de tudo. Dessa maneira, não devemos propor um tipo de sonho a ninguém, pois é arriscado prever uma atividade profissional. O pedagogo empreendedor poderá, sim, estimular o aluno a sonhar com o seu futuro sem necessariamente dizer o que gostaria que ela fosse, projetando o sonho do adulto num adolescente, que, muitas vezes, poderá ser um profissional não realizado. A estratégia da Pedagogia Empreendedora funda-se em estimular o sonho, não interferir na construção nem na realização deste, oferecendo apenas orientação e meios para desenvolver as competências e habilidades para formulá-lo e buscar realizá-lo.
O ciclo de aprendizagem do empreendedor poderá ser realizado através do indivíduo, que, ao desenvolver o sonho, projeta a imagem do futuro aonde ele deseja chegar, estar ou de quem ele deseja ser. Depois, ele busca realizar o sonho, mas, para isso, identifica o que for necessário para realizá-lo.
2.2 – Metodologia
A metodologia utilizada pelo projeto para as aulas vai ao encontro do conhecimento técnico com o despertar do empreendedorismo.
A utilização de temas como empreendimento convencional, contabilidade, tributação, legislação e empreendedorismo, além de enriquecer as aulas também é de fundamental importância para a qualificação profissional desse público.
Para o máximo de proveito dessa proposta político-pedagógica, alguns princípios norteiam todos os trabalhos. São eles:
v A utilização de temas que promovam empreendimento como sendo a prática para o aprendizado técnico;
v A formação cidadã e emancipação do indivíduo;
v Promover o resgate de valores dos participantes;
v Explanação do multiplicador;
v Explanação dos alunos;
v Apresentações em geral.
Para garantir o aprendizado dos alunos, cada turma deverá ser formada observando as disponibilidades do ambiente onde acontecerá a oficina.
Visando uma melhor ação empreendedora na cadeia da cultura urbana, os trabalhos foram segmentados em três eixos de ação:
v Produção de eventos;
v Vestuário;
v Produção Musical.
Essa atuação segmentada influencia diretamente nas oficinas de formação da economia da cultura, conforme conteúdos programáticos abaixo.
2.3 – Conteúdo programático
| Grafite | · Introdução ao Graffiti · Técnicas aplicadas ao Graffiti · Elaboração e Produção · Noções de arte final · Empreendedorismo econômico |
2.4 – Vagas ofertadas e grade horária
De acordo com a atual estrutura da organização Atitude os cursos poderão ofertar de 10 alunos por cada turma sendo que teremos ao longo do projeto 08 turmas de grafite divididas em 08 meses com cada turma tendo duração de 02 meses cada.
2.5 - Material didático
O Projeto produzirá seu próprio material didático de apoio e será distribuída uma cópia para cada participante.
Esse material, que geralmente é materializa em uma apostila, é desenvolvido pelos professores, com orientação pedagógica, e deve sempre utilizar linguagem clara e objetiva.
Além disso, durante as aulas também são utilizados vídeos e dinâmicas a fim de ilustrar o conhecimento.
2.6 - Avaliações e resultados
Ao final de cada turma é importante realizar avaliação junto aos participantes. Essa ação ajuda a entender a receptividade dos participantes junto às oficinas oferecidas e também orienta sobre a postura dos professores, a estrutura física disponível e também sobre a qualidade do material pedagógico.
2.7 – Documentação
A fim de garantir a documentação de todas as aulas ministradas no desenvolvimento da economia da cultura são imprescindíveis que sejam armazenadas todas as informações pertinentes a essas oficinas em um sistema de gestão. Para tal, algumas informações tornam-se necessárias. São elas:
Lista de presença: Para toda turma é necessário uma lista de chamada com o nome de todos os participantes. A chamada deverá ocorrer a cada aula, com data e horário. Finalizado a oficina, essa lista de chamada deverá ser arquivada.
Relatório de execução: Ao encerrar cada turma é importante que seja feito um relatório com informações gerais sobre todo o andamento dos trabalhos. O relatório será elaborado pelo apoio pedagógico,a juntamente com o(s) oficineiros(s) que atuaram na sala de aula, contendo as seguintes informações:
Nome do curso e período de realização;
Objetivos do curso;
Conteúdo programático;
Relação dos participantes e nome do professor;
Fotos das aulas/atividades;
Avaliações dos participantes e;
Conclusões do curso.
È recomendado, também, que o relatório contenha fotos individuais de cada participante, tornando-se necessário que as mesmas sejam feitas no decorrer da oficina e de acordo com a disponibilidade de câmeras digitais.
2.8 – Evasão dos alunos
A evasão dos alunos deve ser diagnosticada. Entender o motivo da evasão pode ser fator fundamental para o sucesso do projeto. Esses atores podem evadir por diversos motivos, desde a conquista por emprego até a dificuldade financeira em continuar sua formação.
Recomenda-se que o apoio pedagógico faça esse acompanhamento e, sempre que possível, formalize essas informações em uma ficha de acompanhamento. Após finalizada as informações, é importante ainda arquivar a mesma.